Busca e Apreensão10 min de leitura

Busca e Apreensão: Como Defender Seu Veículo

Por Equipe Jurídico BancárioAtualizado em 18 de março de 2026

Saiba como funciona o processo de busca e apreensão de veículos financiados, quais são seus direitos previstos no Decreto-Lei 911/69 e no CDC, e como um advogado especializado pode ajudá-lo a manter seu bem.

O Que é a Ação de Busca e Apreensão?

A ação de busca e apreensão é o instrumento jurídico utilizado por instituições financeiras para retomar veículos financiados quando o devedor deixa de pagar as parcelas. Essa ação está regulamentada pelo Decreto-Lei 911/1969, que trata dos contratos com cláusula de alienação fiduciária em garantia.

Na alienação fiduciária, o comprador utiliza o próprio veículo como garantia do financiamento. Isso significa que, embora o consumidor tenha a posse direta do bem (pode usá-lo), a propriedade registrada permanece com o banco até a quitação total do contrato. É o que se chama de propriedade resolúvel.

Quando há inadimplência, o banco pode ingressar com a ação de busca e apreensão. No entanto, o processo exige o cumprimento de requisitos legais específicos. O descumprimento de qualquer um desses requisitos pode ser a chave para a defesa do consumidor.

Requisitos Legais para a Busca e Apreensão

Constituição em Mora

O primeiro requisito obrigatório é a constituição em mora do devedor. Conforme a Súmula 72 do STJ e o artigo 2o, parágrafo 2o, do Decreto-Lei 911/69, o credor deve comprovar a mora mediante notificação extrajudicial enviada por intermédio do Cartório de Títulos e Documentos ou pelo correio com aviso de recebimento (AR).

A notificação deve ser encaminhada ao endereço do devedor constante no contrato. A Súmula 404 do STJ flexibilizou a exigência, bastando que a notificação seja entregue no endereço do devedor, ainda que por pessoa diversa. No entanto, se o endereço estiver incorreto ou se a notificação não chegou ao destinatário, a mora não está constituída e a ação pode ser contestada.

Vencimento Antecipado

Muitos contratos possuem cláusula de vencimento antecipado, que permite ao banco considerar todas as parcelas vencidas quando o devedor atrasa uma única prestação. Embora essa cláusula seja comum, ela precisa estar expressamente prevista no contrato e não pode ser aplicada de forma desproporcional (artigo 51, parágrafo 1o, inciso III, do CDC).

Prazos Importantes na Busca e Apreensão

O Decreto-Lei 911/69, com as alterações da Lei 13.043/2014, estabelece prazos específicos:

  • Após a concessão da liminar, o devedor tem 5 dias para pagar a integralidade da dívida pendente (parcelas vencidas e vincendas) e obter a restituição do bem
  • Caso o bem não seja encontrado, o juiz pode converter a ação em ação de execução
  • O devedor pode apresentar contestação no prazo de 15 dias após a citação
  • Após a apreensão, o banco não pode vender o veículo imediatamente, devendo aguardar o trânsito em julgado ou autorização judicial

Como se Defender da Busca e Apreensão

1. Verifique a Notificação Extrajudicial

A ausência ou irregularidade da notificação extrajudicial é o fundamento de defesa mais utilizado. Verifique se a notificação foi enviada ao endereço correto, se o AR foi assinado e se o cartório competente realizou a diligência. A falta de notificação válida torna a ação improcedente.

2. Questione o Valor Cobrado

O banco frequentemente inclui encargos abusivos na planilha de cálculo da dívida. Verifique se há cobrança cumulativa de comissão de permanência com correção monetária e juros (vedado pela Súmula 472 do STJ), se os juros remuneratórios estão acima da taxa média do BACEN, e se há tarifas indevidas.

3. Purgação da Mora

Mesmo após a apreensão do veículo, o devedor tem o direito de purgar a mora pagando o valor integral da dívida pendente no prazo de 5 dias. Embora a Lei 10.931/2004 tenha exigido o pagamento da integralidade (parcelas vencidas e vincendas), o STJ tem admitido a purgação da mora pelo pagamento das parcelas vencidas em situações específicas.

4. Ação Revisional como Defesa

Caso o contrato contenha juros abusivos ou encargos ilegais, o devedor pode ajuizar ação revisional cumulada com consignatória. Isso permite discutir o valor das parcelas e, ao mesmo tempo, demonstrar boa-fé mediante o depósito do valor que entende devido.

Teoria da Adimplência Substancial

A teoria do adimplemento substancial, embora não prevista expressamente em lei, foi amplamente aplicada pelos tribunais brasileiros em defesa de devedores que já pagaram a maior parte do financiamento. O STJ, no REsp 1.622.555/MG (Tema 1.012), definiu que a teoria do adimplemento substancial não se aplica aos contratos de alienação fiduciária regidos pelo Decreto-Lei 911/69.

No entanto, essa decisão não impede que o consumidor utilize outros argumentos de defesa, como a abusividade dos encargos, a irregularidade da notificação ou a onerosidade excessiva do contrato.

O Que Acontece Após a Apreensão do Veículo

Após a apreensão, o veículo fica depositado em pátio indicado pelo banco ou pelo oficial de justiça. O devedor pode recuperar o bem mediante o pagamento integral da dívida no prazo legal de 5 dias, ou por meio de decisão judicial favorável na contestação.

Se o veículo for vendido em leilão, o banco deve prestar contas ao devedor. Se o valor obtido for superior ao saldo devedor, a diferença deve ser restituída ao consumidor. Se for inferior, o banco pode cobrar o saldo remanescente. O devedor tem direito a acompanhar o leilão e questionar o preço mínimo fixado.

Perguntas Frequentes

Posso esconder o veículo para evitar a apreensão?

Esconder o veículo pode configurar crime de desobediência a ordem judicial (artigo 330 do Código Penal) ou fraude à execução. Além disso, o juiz pode converter a ação em execução, o que permite a penhora de outros bens do devedor. A melhor estratégia é buscar orientação jurídica para uma defesa técnica adequada.

O banco pode levar o carro sem ordem judicial?

Não. A busca e apreensão exige decisão judicial (liminar). Qualquer tentativa de retomada extrajudicial do veículo pelo banco ou por empresas terceirizadas é ilegal e pode gerar indenização por danos morais e materiais ao consumidor.

Se você recebeu uma notificação de busca e apreensão ou está com parcelas em atraso no financiamento do seu veículo, procure orientação jurídica imediatamente. Nossa equipe de advogados especializados pode analisar seu caso e elaborar a melhor estratégia de defesa para proteger seu patrimônio.

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